Origem e significado da estátua da Justiça, símbolo do Direito
Segundo a mitologia grega a deusa da Justiça é Themis (ou Têmis), filha de Urano (deus do Céu) e Gaia (deusa da Terra). Entre os romanos, era conhecida como Justitia. Era vista por todos como a personificação da justiça, das leis e dos costumes divinos, responsável por manter a ordem social e fazer a supervisão dos ritos e cerimoniais.
Themis era muito popular na Grécia Antiga, especialmente em Atenas e Corinto. Diante de uma situação de opressão, costumava-se invocar Themis para restabelecer a ordem e a justiça. Ela representa a Justiça, a Lei, a Ordem e protege os oprimidos.
HABEAS PINHO
Exmo. Sr. Juiz Roberto Pessoa de Sousa.
O instrumento do “crime” , que se arrola Nesse processo de contravenção Não é faca, revolver ou pistola, Simplesmente, Doutor, é um violão.
Um violão, doutor, que em verdade Não feriu nem matou um cidadão Feriu, sim, mas a sensibilidade De quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura, Instrumento de amor e de saudade O crime a ele nunca se mistura Entre ambos inexiste afinidade.
O violão é próprio dos cantores Dos menestréis de alma enternecida Que cantam mágoas que povoam a vida E sufocam as suas próprias dores.
O violão é música e é canção É sentimento, é vida, é alegria É pureza e é néctar que extasia É adorno espiritual do coração.
Seu viver, como o nosso, é transitório. Mas seu destino, não, se perpetua. Ele nasceu para cantar na rua E não para ser arquivo de Cartório.
Ele, Doutor, que suave lenitivo Para a alma da noite em solidão, Não se adapta, jamais, em um arquivo Sem gemer sua prima e seu bordão
Mande entregá-lo, pelo amor da noite Que se sente vazia em suas horas, Para que volte a sentir o terno acoite De suas cordas finas e sonoras.
Liberte o violão, Doutor Juiz, Em nome da Justiça e do Direito. É crime, porventura, o infeliz Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?
Será crime, afinal, será pecado, Será delito de tão vis horrores, Perambular na rua um desgraçado Derramando nas praças suas dores?
Mande, pois, libertá-lo da agonia (a consciência assim nos insinua) Não sufoque o cantar que vem da rua, Que vem da noite para saudar o dia.
É o apelo que aqui lhe dirigimos, Na certeza do seu acolhimento Juntada desta aos autos nós pedimos E pedimos, enfim, deferimento.
Ronaldo Cunha Lima, advogado.
Recebida a petição inicial pelo Juiz, este proferiu a seguinte decisão, também em versos:
Recebo a petição escrita em verso E, despachando-a sem autuação, Verbero o ato vil, rude e perverso, Que prende, no Cartório, um violão.
Emudecer a prima e o bordão, Nos confins de um arquivo, em sombra imerso, É desumana e vil destruição De tudo que há de belo no universo.
Que seja Sol, ainda que a desoras, E volte á rua, em vida transviada, Num esbanjar de lágrimas sonoras.
Se grato for, acaso ao que lhe fiz, Noite de luz, plena madrugada, Venha tocar á porta do Juiz.